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segunda-feira, 20 de abril de 2009

5 - O Que é Ecologia Profunda? série que parada é essa?

O filósofo e ecologista norueguês Arne Naess, fundador da corrente conhecida como Ecologia Profunda


O Que é Ecologia Profunda?

(Apresentamos aqui a introdução do livro "A Vida Secreta da Natureza" de Carlos Cardoso Aveline.)

A natureza, cuja evolução é eterna, possui valor em si mesma, independentemente da utilidade econômica que tem para o ser humano que vive nela.

Esta idéia central define a chamada ecologia profunda – cuja influência é hoje cada vez maior – e expressa a percepção prática de que o homem é parte inseparável, física, psicológica e espiritualmente, do ambiente em que vive.

Na nova era global, milhões de pessoas voltam a perceber que o sentimento de comunhão com a natureza é um dos mais elevados de que o ser humano é capaz, e fonte de grande felicidade. Não é coisa do passado ou um costume do tempo das cavernas. Ao contrário, deverá marcar as civilizações do futuro. Em qualquer tempo histórico, o convívio direto com a natureza foi e será um fator decisivo para o bem-estar físico e psicológico do ser humano.

A expressão ecologia profunda foi criada durante a década de 1970 pelo filósofo norueguês Arne Naess, em oposição ao que ele chama de "ecologia superficial" – isto é, a visão convencional segundo a qual o meio ambiente deve ser preservado apenas por causa da sua importância para o ser humano.

Ao nível superficial, o homem coloca-se como centro do mundo e quer preservar os rios, o oceano, as florestas e o solo porque são instrumentos do seu próprio bem-estar. Quando olha para o meio ambiente com esta preocupação, o homem só enxerga os seus próprios interesses, já que, inconscientemente, se considera a coisa mais importante que há no universo. Olha a árvore e vê madeira. Olha o solo e vê o potencial agrícola ou a possível exploração de minérios. Olha o rio e vê um curso d’água navegável por barcos de determinado porte. Ele sabe que deve preservar os chamados recursos naturais, porque são preciosos. A natureza para ele é um grande cofre, abarrotado de riquezas renováveis, mas que deve ser cuidadosamente preservado. Daí a necessidade de autoridades ambientais atuantes e uma boa legislação que preserve o meio ambiente.

Este nível da consciência ecológica tem importância, porque faz com que os seres humanos questionem seu comportamento econômico e comecem a perceber mais claramente que a ética, afinal, dá bons resultados. A postura mais primitiva, de mera pilhagem, vem sendo deixada de lado em grande parte da economia. As políticas públicas de meio ambiente têm reforçado até hoje prioritariamente este primeiro nível, claramente insuficiente, de consciência ambiental. A multa, a repressão, a aplicação da legislação ambiental e a fiscalização seriam instrumentos muito úteis a curto prazo, se no Brasil a política nacional de meio ambiente não tivesse sido tão persistentemente esvaziada.

Mas as boas notícias são mais fortes que as más. Uma nova consciência empresarial já repensa o conjunto das atividades econômicas a partir da meta de administrar sabiamente, a longo prazo, os recursos naturais. As gerações mais recentes de empresários e executivos trazem consigo uma forte consciência ambiental. Sua atitude é compatível com a descrição holista do universo e com a ecologia profunda. Progresso econômico e bem-estar material deixam de ser inimigos da preservação ambiental ou da busca espiritual. As novas tecnologias permitem aumentar a produção, ao mesmo tempo que se diminui, radicalmente, o impacto ambiental. O verdadeiro progresso econômico – surge agora um consenso em torno disso – deve ser socialmente justo e ecologicamente sustentável. As medidas convencionais e de curto prazo para a preservação ambiental combatem os efeitos da devastação e pressionam pela gradual adaptação das atividades econômicas às leis da natureza. Mas a ecologia profunda dá um sentido maior às estratégias convencionais de preservação. Atacando as causas ocultas da devastação, projeta e estimula o surgimento de uma nova civilização culturalmente solidária, politicamente participativa e ecologicamente consciente.

Em última instância, as causas da destruição ambiental são o individualismo ingênuo, o sentimento de cobiça material sem freios e a ilusão de que o ser humano está separado do meio ambiente, podendo agir sobre ele sem sofrer as conseqüências do que faz. Ter isto claro é importante. No entanto, não basta uma percepção teórica deste dilema ético. Além de compreender intelectualmente o princípio da unidade ecológica de tudo o que há, é oportuno vivenciar e deixar-se inspirar pelo sentimento da comunhão com a natureza. Deste modo, aprende-se a colocar cada um dos processos econômicos e sociais a serviço da vida, já que é absurdo pretender inverter o processo e colocar a vida a serviço deles.

Não há, pois, oposição real entre a ecologia convencional ou de curto prazo e a ecologia profunda ou mística. São dois níveis diferentes de consciência. Ambos são indispensáveis, e são mutuamente inspiradores. Foi em meados da década de 1980 que diversos pensadores – Warwick Fox, Henryk Skolimowski e Edward Goldsmith, além do próprio Arne Naess – começaram a produzir textos variados a partir do ponto de vista da ecologia profunda. A nova física e a nova biologia, com Fritjof Capra, Gregory Bateson, Rupert Sheldrake, David Bohm, e também os trabalhos científicos de James Lovelock e Humberto Maturana, entre outros, deram legitimidade científica à ecologia profunda. Em sua vertente religiosa, esta corrente de pensamento tem ampla base de apoio na tradição mística de todas as grandes religiões da humanidade. São Francisco de Assis, padroeiro da ecologia, está longe de ser uma figura isolada.

Cauteloso, Arne Naess recusou-se a criar um sistema racionalmente coerente – um circuito fechado de idéias – capaz de limitar o conceito de ecologia profunda, e manteve-o como uma idéia aberta segundo a qual a variedade da vida é um bem em si mesma. Para Naess, esta ecologia surge do reconhecimento interior da nossa unidade com a natureza. O fato nem sempre requer explicações e muitas vezes não pode ser descrito com palavras. Mas a ação freqüentemente mostra com clareza o que é ecologia profunda.

Em certa ocasião, um rio da Noruega foi condenado à destruição para que fosse construída uma grande hidrelétrica. As margens do curso d’água seriam inundadas para que se fizesse o lago da barragem. Um nativo do povo Sami recusou-se, então, a sair do lugar. Quando, finalmente, foi preso por desobediência e retirado dali à força, ele não teve opção. Mais tarde a polícia perguntou-lhe por que se recusara a sair do rio. Sua resposta foi lacônica:

"Este rio faz parte de mim mesmo".

O indígena estava certo. O meio ambiente faz, realmente, parte de nós mesmos. São dele o ar que respiramos e a água que compõe 70 por cento do nosso corpo físico. Dele vêm os nutrientes que renovam a cada instante as nossas células. Esta unidade dinâmica não está limitada ao plano material da vida, mas também é psicológica e espiritual, mesmo que alguns de nós não tenham plena consciência disso.

A Vida Secreta da Natureza reúne textos publicados inicialmente nas revistas Planeta, Planeta Nova Era e outras publicações. A seguir, veremos experiências de contato direto com o mundo natural como fonte de inspiração para a alma humana em seu crescimento interior. E também reflexões sobre a proposta de um desenvolvimento ecologicamente sustentável; sobre a cidadania local e global como base para a construção de uma civilização solidária; e sobre a poderosa combinação atual entre o pensamento ecológico, a ciência moderna e a tradição esotérica.

Brasília, 30 de janeiro de 1999.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

4 - O QUE É TEORIA DA CONSPIRAÇÃO? SÉRIE QUE PARADA É ESSA?

suposto símbolo dos Illuminati na nota de 1 dólar estadunidense
TEORIA DA CONSPIRAÇÃO
INSTRUÇÕES DE USO PARA O ATIVISTA AMADOR
Gérson(ou Jersson) de Oliveira

1. Não acredite em nada do que lhe dizem. Na real, quase noventa por cento do que você aprendeu até hoje não é verdade. Você sabia que uma laranja é azul? Pois saiba que sim. Mesmo as cores que vemos são pura ilusão. De ótica.

2. Tvs, jornais, meios de comunicação, tudo é programado. Há sempre uma razão para escolherem que informação dar.

3. Se você acha que o que está sendo falado aqui é bobagem, pare agora de ler. Se preferir continuar, é por sua conta e risco...

4. Vamos supor que você já percebeu que vivemos condicionados a todo momento. Nossa programação mental, nossos gostos, nossa crença, ego, diversão, etc.

5.Tudo o que vemos é relativo. A física quântica já provou que a posição de uma partícula pode ser variável e múltipla simultâneamente. Robert Anton Wilson, um dos precursores da conspirologia, afirma que vivemos em “túneis de realidade”.

6.Iniciar programa de descondicionamento? Muito bem, só teclar o enter e pronto. Ok? Simples assim? Não, ninguém aqui está propondo uma nova lavagem cerebral.

7. É agora que entra a teoria da conspiração. Lançando hipóteses e conectando dados nem sempre confiáveis, a conspirologia é uma ferramenta para o ativista justamente por gerar dúvidas. Verdade ou boato, o fato é que conspirações sempre trazem um questionamento polêmico e fértil por trás.

8. Sejam frangos trangênicos do MC Donalds ou a verdade sobre Ovnis, não há como negar que conspirações estão profundamente enraizadas no inconsciente coletivo.

9. Conspirações são armas políticas. Conspirações estavam por trás da Revolução Francesa, do Watergate, e até do Golpe de 64 no Brasil.

10.Especulações éticas ou disseminadoras de memes, o fato é que conspirações não são brincadeira. Nem paranóia. Ou podem ser uma coisa ou outra. Ou ambas.

11. A internet é o lugar por excelência para a disseminação de conspirações. Como os memes, toda conspiração espalha novos memes por aí, na velocidade de um e-mail.

12. A utilidade de uma conspiração? Depende do seu objetivo. Curiosidade? A verdade por trás do Vaticano ou da Rede Globo? Quer começar uma revolução? Desmascarar uma seita? Revelar experimentos científicos proibidos? Conectar o narcotráfico com a indústria do cinema? Amigo, o campo é vasto e os caminhos os mais variados. Mas não avancemos muito, se você chegou até aqui, você não é nenhuma criancinha.

13. Conclusão? Nenhuma. A dúvida é o cerne de toda conspiração. Mas atenção. Não acredite em tudo que lê. Nem mesmo no que está escrito aqui...


O QUE É TEORIA DA CONSPIRAÇÃO SEGUNDO A WIKIPÉDIA?

Teoria da conspiração é uma teoria que supõe que um grupo de conspiradores está envolvido num plano e suprimiu a maior parte das provas desse mesmo plano e do seu envolvimento nele. O plano pode ser qualquer coisa, desde a manipulação de governos, economias ou sistemas legais até a ocultação de informações científicas importantes ou assassinato.

História
Muitos acreditam que o assassinato de John F. Kennedy teria sido planejado através de uma conspiração.

No passado, foram identificadas e provadas várias conspirações, e é natural que todos os dias tenham lugar centenas de conspirações de maior ou menor importância. Por isso, mesmo que não existam provas, qualquer pessoa pode lançar uma teoria que se baseia em factos que nem ela própria conhece.

Uma vez demonstrada, uma conspiração deixa de ser uma teoria. Assim, as teorias da conspiração estão necessariamente por confirmar. Muitas vezes, essas teorias são defendidas por pessoas que acreditam em determinadas conclusões que não podem provar e usam pois uma teoria da conspiração para prová-las e explicar porquê não existem provas que as sustentam — segundo eles, os autores da conspiração sempre ocultam as provas.

Como alguns pensam, a Princesa Diana teria sido assassinada para parar de "arruinar" a monarquia britânica.

Uma teoria da conspiração é precisamente o contrário de uma teoria científica, já que não pode ser refutada: as provas que endossariam as teorias são utilizadas pelos seus defensores para provar que os conspiradores são tão perfeitos a ponto de poder camuflá-las.

Assuntos relacionados com governos, nazistas, religiões (católicos, judeus, budistas), holocaustos, comunistas e extraterrestres podem estar associados e serem utilizados como instrumento para endossar uma boa teoria de conspiração.

Teorias presentes no imaginário popular, que deram origem aos livros, aos filmes ou aos seriados de televisão, embora muitas vezes com resultados catastróficos (dependendo do modo da divulgação), mostraram-se muito fáceis de aplicação e exploração.

Conspirações são fatos provados historicamente em seu tempo, podendo também ser manipulados por governos para tentar aniquilar ou acabar com um povo ou uma cultura alegando que ele ou eles estão contra o mundo.

Governamentais ou não, eis algumas organizações historicamente reconhecidas por instigarem conspirações para o bem de seus governos ou propositos: FBI, CIA, KGB, Scyard, Mc Donald's, Coca Cola e Greenpeace.

Elementos recorrentes das teorias da conspiração:


Aquisitores - Suposto braço brasileiro dos illuminati
Apollo XI - Ida do homem à Lua
Área 51
Atlântida
Backmasking
Comissão Trilateral
Jesuítas
Clube de Bilderberg
Fnord
Homens de Preto (Também conhecido como Majestic 12)
Illuminati
John F. Kennedy
Maçonaria
Mensagens Subliminares
Misticismo
Nikola Tesla
Opus Dei
Templários
OVNIs (vide Caso Roswell e Incidente de Varginha)
Priorado de Sião (Vide O Código da Vinci)
Leonardo Da Vinci
Pseudociência
Rosa Cruz
Satanismo
Seitas Gnósticas
Protocols of the Elders of Zion
Caveira e Ossos
Sociedades Secretas
Walt Disney Company
Microsoft
SSGT
Casa Branca
Vaticano
Nazismo e Sociedade Thule (Vide Misticismo nazi)
Experimento Filadélfia
Nova Ordem Mundial (teoria conspiratória)

Livros sobre Teoria da Conspiração:
As teorias da conspiração inspiraram vários autores de obras de ficção. Tais obras são quase sempre complexas e deliberadamente confusas, cheias de informação detalhada que poderá ou não ser relevante para a trama. Normalmente, um outsider descobre uma conspiração potencial por acaso. O protagonista enreda-se cada vez mais nos meandros da conspiração, que se revela cada vez mais complexa e inacessível. A realidade é posta em questão, e no fim não se percebe, se estávamos perante a uma verdadeira conspiração ou perante a uma coincidência, ou ilusão.


Alguns livros de interesse, sobre conspiração:
Dr. Oswald le Winter (ex-agente da CIA), Democracia e secretismo
ISBN 9721050032
Robert Wilson, O livro dos Illuminati
ISBN 972936009x
Duncan Campbell, O mundo sob escuta, As capacidades de intercepção do séc XXI
ISBN 9728351585 sorrento, Sociedade em guerra ISBN 978-85-366-1291-1

Exemplos
Anjos e Demônios de Dan Brown
The Illuminatus Trilogy de Robert Shea e Robert Anton Wilson, que provocaram o ressurgimento do interesse por sociedades secretas novecentistas.
O Pêndulo de Foucault de Umberto Eco
Cthulhu Mythos de H. P. Lovecraft
Arquivo X
muitas das novelas de
Philip K. Dick
O Código da Vinci de Dan Brown
Os Protocolos dos sábios de Sião ou Elder of Zion Livro que teria sido usado como base pelo nazismo para massacrar os judeus
A série de ficção científica
The X-Files (no Brasil conhecida como Arquivo X) é outra obra de ficção que envolve teorias da conspiração.
Diário da CIA
A Guerra secreta
Projeto Guerra nas Estrelas
Deception Point - Dan Brown
Terremoto de Kobe
Operação Cavalo de Troia - J.J. Benitez
Deixados para trás I,II,III - Craig R. Baxley
Metal Gear - Hideo Kojima

Mortes Misteriosas
1 -
Elvis Presley
2 -
James Dean
3 -
Marilyn Monroe
4 -
Princesa Diana
5 -
John F. Kennedy
6 -
Bruce Lee
7 -
Laura Palmer
8 -
Jim Morrison
9 -
Kurt Cobain
10 -
Lolo Ferrari
11 -
Napoleão Bonaparte
12 -
Tupac Shakur
13 -
The Notorious B.I.G.
13 -
Tancredo Neves
14 -
Abraham Lincoln
15 -
Adolf Hitler
16 -
John Lennon
17 -
Getúlio Vargas
18 -
Josef Stálin
19 -
Papa João Paulo I
20 -
João Goulart
21 -
Slobodan Milosevic
22 -
Salvador Allende
23 -
Celso Daniel
24 -
Juscelino Kubitschek
25 -
Maria Callas

Ver também
Paul McCartney está morto?
Elvis Presley não morreu?
Sociedade secreta
Morte de Diana, Princesa de Gales
Assassinato de John F. Kennedy
Teorias conspiratórias sobre 11/9
Acusações de falsificação nas alunissagens do Programa Apollo
Revisionismo do Holocausto Nova Ordem Mundial (teoria conspiratória)

Ligações externas
Realidade Oculta - página sobre teorias da conspiração
Teoria da Conspiração - Textos sobre as teorias mais famosas
Livro "A Conspiração Mundial" Willian Guy Carr - Marinha do Canadá
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quinta-feira, 2 de abril de 2009

3 - O QUE É PERMACULTURA? SÉRIE QUE PARADA É ESTA?

clica na flor da permacultura pra visualiza-la gigante e compreende-la


Adaptado por Nélio Cunha Mello*



A Permacultura - "Permanent Culture" ou "Cultura Permanente" - foi criada na Austrália, no final dos anos 70 pelo professor universitário Bill Mollison.

A Permacultura tem como princípio a observação das estratégias da natureza. Ela está baseada numa ética da terra, que traz estímulos e soluções sociais gerados dentro das próprias comunidades. A sua filosofia e práticas simples, favorecem a reintegração do ser humano no seu meio ambiente de formas sustentáveis.

"Sem a permanência de cultura, a sociedade perde a seus vínculos com a terra". Baseada nesta afirmação, a Permacultura desenvolve-se de forma inteligente, racionalizando a organização de sítios e fazendas ou até mesmo de cidades, levando em consideração os aspectos típicos de cada região. Tendo claro as necessidades como: moradia, água, acesso, jardim, animais, lazer, área de produção, reserva florestal, etc..., podemos planejar tudo de forma integrada, com harmonia, eficiência e ecologicamente correta.

A Permacultura tem como objetivo, o incremento da agricultura orgânica para o manejo produtivo. O cooperativismo é o caminho natural praticado e incentivado também pela Permacultura, não só entre as pessoas, mas também entre todos os elos da paisagem, formando redes de apoio mútuo (ecossistemas).

Refugiado das loucuras da sociedade de consumo, Mollison percebeu que, nem os cantos remotos do interior australiano onde morava, seria poupado do colapso planetário iminente - a flora e a fauna estavam diminuindo sensivelmente...

"Resolvi, - falou Mollison na sua passagem pelo Brasil em junho de 1992 que, se voltasse para o mundo, voltaria com uma coisa muito positiva".

Foi assim que nasceu a idéia de criar sistemas de florestas produtivas para substituir as monoculturas de trigo e soja, responsáveis pelo desmatamento mundial. Observando e imitando as formas de florestas naturais do lugar, revelou-se possível a criação de sistemas altamente produtivos, estáveis e recuperadores da ecologia local.

Depois de dez anos implantando, com grande sucesso, tais sistemas em todos os continentes, Mollison e seus colaboradores perceberam que não adianta concentrar-se em sistemas naturais, sem considerar os outros sistemas, tão vitais para a sobrevivência humana, com os sistemas monetários, urbanos (arquitetura e reciclagem de lixo e águas), sociais e de crenças, isto é, a "Permanent Culture" ou "Cultura Permanente".

Hoje, a Permacultura conta com mais de 10.000 praticantes em todos os continentes e mais de 220 professores trabalhando em tempo integral. A Permacultura chegou no Brasil através do primeiro curso dado por Bill Mollison, em Porto Alegre. Hoje na Bahia existe uma equipe de profissionais - agrônomos, engenheiros, arquitetos, etc... - que estão se aprofundando nestas idéias e que já fundaram o primeiro sistema LETS de troca de serviços da América Latina.

Esta equipe fundou em setembro de 1992, o Instituto de Permacultura da Bahia, que se empenha em oferecer estas técnicas ao maior público possível. Cogita-se, além de cursos , formar condomínios ecológicos auto-sustentados na região de Salvador.

Baseada na ética de "Cuidar da Terra, cuidar dos homens e compartilhar os excedentes" (quer sejam dinheiro, tempo ou informação), a Permacultura ousa acreditar na possibilidade da abundância para toda a humanidade através do uso intensivo de todos os espaços, através da reciclagem de todos os produtos (diminuindo assim a poluição) e através da cooperação entre os homens para resolver os grandes e perigosos problemas que hoje assolam o planeta.

*Nélio Cunha Mello - É biólogo e limnólogo - especialista em água doce - associado à S.B.L. - Sociedade Brasileira de Limnologia e à A.S.L.O. - American Society Limnology and Oceanograph - University of Michigan. É Educador Ambiental e o atual presidente da ECOSC - Equipe de Conservacionistas Santa Cruz - Ong Ambientalista, fundada em 20/08/1977.

Leia mais:
http://www.permacultura.org.br/

http://www.permaculture.co.uk/

http://www.permacultureportal.com/

http://www.permaculture.au.com/

http://www.permaculture.org/

Fonte:Portal Árvore (http://www.arvore.com.br/).
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quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

2 - O QUE É HAPPENING? Série "que parada é esta?"


O happening (do inglês, acontecimento) é uma forma de expressão das artes visuais que, de certa maneira, apresenta características das artes cênicas. Neste tipo de obra, quase sempre planejada, incorpora-se algum elemento de espontaniedade ou improvisação, que nunca se repete da mesma maneira a cada nova apresentação.
Apesar de ser definida por alguns historiadores como um sinônimo de performance, o happening é diferente porque, além do aspecto de imprevisibilidade, geralmente envolve a participação direta ou indireta do público espectador. Para o compositor John Cage, os happenings eram "eventos teatrais espontâneos e sem trama".
O termo happening, como categoria artística, foi utilizado pela primeira vez pelo artista Allan Kaprow, em 1959. Como evento artístico, acontecia em ambientes diversos, geralmente fora de museus e galerias, nunca preparados previamente para esse fim.
Na pop art, artistas como Kaprow e Jim Dine, programavam happennings com o intuito de "tirar a arte das telas e trazê-la para a vida". Robert Rauschenber , em Spring Training (do inglês, Treino de Primavera), alugou trinta tartarugas para soltá-las sobre um palco escuro, com lanternas presas nos cascos. Enquanto as tartarugas emitiam luzes em direções aleatórias, o artista perambulava entre elas vestindo calças de jóquei. No final, sobre pernas-de-pau, Rauschenberg jogou água em um balde de gelo seco preso a sua cintura, levantando nuvens de vapor ao seu redor. Ao terminar o happening, o artista afirmou: "As tartarugas foram verdadeiras artistas, não foi?"
Durante o movimento Provos, de 1964 a 1966, os membros do grupo faziam happening nas praças de Amsterdan.
Em 2007, o Happening, não é ainda uma ferramenta extinta. Como tal, em Portugal, artistas como Miguel Palma que transporta portfólio e currículo provocatório, ou mesmo Francisco Eduardo reivindicando a "também autoria" de todas as exposições da rua miguel bombarda do Porto, levando a mãe a defender o seu trabalho e vestindo-se a rigor com mais 6 pessoas para almoçar na Desportiva com o Director do Museu de Serralves João Fernandes, após um meinho com este último ao meio. Movimento apelidado pelos autores de Projecto Individual, criou uma visibilidade muito própria e tem sido um foco de relativa importância para o meio artístico Portuense.

Principais Referências:


Allan Kaprow (23 de agosto de 1927 a 5 de abril de 2006) foi um pintor estadunidense, assemblagista e um dos pioneiros no estabelecimento dos conceitos de performance.
Ele auxiliou no desenvolvimento de "Ambiente" e de "Happening" nos finais da década de 1950 e da década de 1960, bem como de sua teoria. Seus "Happenings", quase 200, ocorreram durante anos. Gradualmente Kaprow alterou estas práticas para o que ele denominou de "Atividades", trechos de pequena escala para um ou mais performers e objetivando examinar comportamentos e hábitos do dia-a-dia, de uma forma quase indistinta da vida comum. Fluxus, performance, e arte de intalações foram influenciadas por seu trabalho.
Ele estudou composição com John Cage e na famosa classe da New School for Social Research, tendo estudado pintura com Hans Hofmann, e história da arte com Meyer Schapiro. O trabalho de Kaprow visa integrar arte e vida. Através dos Happenings, a separação entre arte e vida, e artista e audiência se torna difusa. Ele publicou proficuamente e foi professor emérito do Departamento de Artes Visuais da Universidade da Califórnia em San Diego. Kaprow é também conhecido por sua idéia de "a-arte", encontrada em seus ensaios "Art Which Can't Be Art" e em "The Education of the Un-Artist".
Sua influência é também evidente no Instituto de Artes da Califórnia, em que ele lecionou durante os anos de sua formação.
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John Milton Cage (5 de setembro de 1912 - 12 de agosto de 1992) foi um compositor musical experimentalista e escritor norte-americano. É o compositor da famosa peça 4'33", pela qual ficou célebre. Composta em 1952, a peça consiste em 4 minutos e 33 segundos de música sem uma nota sequer.
Foi um dos primeiros a escrever sobre o que ele chamava de música de acaso (o que outros decidiram rotular de música aleatória) - música em que alguns elementos eram deixados ao acaso. Também ficou conhecido pelo uso não convencional de instrumentos e pelo seu pioneirismo na música eletrônica. Participou do movimento Fluxus que abrigava artistas plásticos e músicos.
Cage também era um micologista amador e um colecionador de cogumelos.
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Robert Rauschenberg (Port Arthur (Texas), 22 de Outubro de 1925 - Flórida, 12 de Maio de 2008) foi um artista do Expressionismo abstracto e Pop art.
Rauschenberg estudou no Kansas City Art Institute, na Academie Julian em Paris, e com Josef Albers no Black Mountain College na Carolina do Norte, antes de se fixar em Nova York onde estudou no Art Students League of New York e onde desenvolveu relações mais profundas com Cy Twombly, Jasper Johns , John Cage, e Merce Cunningham.
É considerado um dos artistas de vanguarda da década de 50, pois foi nessa época que, depois das séries de superfícies com jornal amassado do início da década, o artista deu início à chamada combine painting, utilizando-se de garrafas de Coca-Cola, embalagens de produtos industrializados e pássaros empalhados para a criação de uma pintura composta por não somente de massa pigmentária mas incluindo também estes objetos. Estes trabalhos foram precursores da Pop Art.
Rauschenberg une a pintura à comunicação, privando esta (em sua opinião) de sua aura - conceito desenvolvido nas obras de Walter Benjamin - e dizia não confiar em idéias, preferindo os materiais, pois estes o colocariam em confronto com o desconhecido. O artísta, mais jovem, fez parte do movimento Dadá em Nova York, empregando "processos de collage fotográfica e serigráfica, produzindo impressões diretas de objetos imagísticos sobre placas sensibilizadas" (Thomas, 1994, p. 102).
Acreditava ele que a pintura se relacionava com a vida e com a arte, assim buscando agir entre estes dois pólos. Nessa perspectiva o artista, em Bed (Cama), pinta o que acredita-se ser sua própria coberta, tornando a obra tão pessoal e íntima quanto um auto-retrato, confrontando assim o aspecto pessoal de uma cama arrumada com o meio artístico, ao pendurá-la em uma parede, na vertical. Assim, ainda que a cama perca sua função, ela ainda pode ser relacionada às atividades íntimas nela exercidas.
Nesse ponto, os limites entre a pintura e a escultura são tensionados até sua ruptura, bem como os limites entre o cotidiano e a arte. Os elementos inclusos em seu trabalho fazem referências à cultura popular, enfatizando a teoria de Rauschenberg sobre objetos diários e a arte.
Na década de 60 Rauschenberg usou o silk-screen para imprimir imagens fotográficas em grandes extensões da tela, unificando a composição através de grossas pinceladas de tinta, e ganhou reconhecimento internacional na Bienal de Veneza de 1964.
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Claes Thure Oldenbug (Estocolmo, 21 de janeiro de 1929) é um escultor estado-unidense de origem sueca e é, entre Andy Warhol e Roy Lichtenstein, o mais importante representante do Pop Art americano.
Com Oldenburg, desaparece qualquer vestígio de pintura, permanecem apenas as coisas-imagem, ampliadas e exageradas nas cores berrantes, intrometidas demais num espaço que parece roubar a nossa existência. Tais presenças são exageradas pelo vazio, pela nulidade da consciência. Estando a tratar com uma "sociedade de consumo" mas corrente, a comida: está implícito que a "cultura de massa" também é uma espécie de comida.
Para Oldenburg é a comida americana, industrializada e padronizada: os hamburgers, os hot-dogs, os ice-creams que são diariamente introduzidos em quantidades industriais, como combustível nos fornos, nos tubos digestivos de milhões de americanos. Os modelos não são sequer essas comidas , mas sua publicidade em cores: claro, na sociedade de consumo primeiro vem a imagem publicitária, depois a coisa.
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Roy Fox Lichtenstein (Nova Iorque, 27 de outubro de 1923 — Nova Iorque, 29 de setembro de 1997) foi um pintor estado-unidense identificado com a Pop Art.
Na sua obra, procurou valorizar os cliches das histórias em quadradinhos como forma de arte, colocando-se dentro de um movimento que tentou criticar a cultura de massa.
O seu interesse pelas histórias em quadradinhos (banda desenhada), como tema artístico, começou provavelmente com uma pintura do rato Mickey, que realizou em 1960 para os filhos. Nos seus quadros a óleo e tinta acrílica, ampliou as características da banda desenhada e dos anúncios comerciais, e reproduziu à mão, com fidelidade, os procedimentos gráficos. Empregou, inicialmente, uma técnica pontilhista para simular os pontos reticulados das histórias. Cores brilhantes, planas e limitadas, delineadas por um traço negro, contribuíam para o intenso impacto visual.
Com essas obras, o artista pretendia oferecer uma reflexão sobre a linguagem e as formas artísticas. Os seus quadros, desvinculados do contexto de uma história, aparecem como imagens frias, intelectuais, símbolos ambíguos do mundo moderno. O resultado é a combinação de arte comercial e abstracção.
Roy Fox Lichtenstein usava cores como: azul marinho, amarelo, vermelho e branco. Ele fazia contornos em preto, para realçar mais suas pinturas.
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Wolf Vostell (Leverkusen, 14 de outubro de 1932 - Berlim, 3 de abril de 1998) foi um artista alemão de prestigio internacional e uma figura fundamental da arte na segunda metade do século XX.
Foi um dos pioneiros da videoarte, do happening e do movimento Fluxus.

Em 1958, iniciam-se as actividades artísticas de Wolf Vostell, com os seus primeiros desenhos, dé-coll/ages, os seus primeiros Happenings e o uso de televisores nas suas obras. Paralelamente ao início da sua ampla criação, Wolf Vostell estabelece a origem do seu Arquivo Vostell, em 1959.
Com grande perseverança e continuidade, Vostell começa a coleccionar minuciosamente documentos fotográficos, textos artísticos, correspondência pessoal com artistas como Nam June Paik, Joseph Beuys, Dick Higgins e muitos outros, artigos de imprensa, convites para eventos artísticos e, sobretudo, livros que reflectem no seu conteúdo os movimentos artísticos dentro dos quais Vostell se exprimiu.
No início da década de 60, Vostell é pioneiro e figura fundamental da Videoarte do Happening e Fluxus, pelo que o Arquivo Vostell constitui uma importante base de documentação sobre estes movimentos artísticos.
Outra parte fundamental do Arquivo Vostell é uma base fotográfica da extensa e multifacetada obra de Wolf Vostell.
O Arquivo Vostell inclui também uma biblioteca geral de cerca de 6000 livros que reúnem todos os géneros da história da arte.
O volume total do Arquivo Vostell compreende aproximadamente 25 000 documentos, que constituem uma base inestimável de informação, investigação e inspiração.
Em 2005, a Junta da Extremadura adquire o Arquivo Vostell e anexa-o ao Museu Vostell Malpartida (MVM).
Em 1992, a cidade de Colónia recebe uma grande retrospectiva da obra de Wolf Vostell, que é distribuída por seis museus diferentes da região. Os museus que apresentaram a retrospectiva foram o Stadtmuseum Köln, Kunsthalle Köln, Rheinisches Landesmuseum Bonn, Kunsthalle Mannheim, Schloss Morsbroich Leverkusen e Städtisches Museum Mülheim Ruhr.
David Vostell realiza um filme documental com o título VOSTELL 60-Rückblick 92 sobre esta retrospectiva.



colaboração da Insurreta Simone Beatriz

sábado, 3 de janeiro de 2009

1 - O QUE É PEDAGOGIA LIBERTÁRIA? Série "que parada é esta?"



A Pedagogia Libertária
Por ANTONIO OZAÍ DA SILVA
Docente na Universidade Estadual de Maringá (UEM), membro do Núcleo de Estudos Sobre Ideologia e Lutas Sociais (NEILS – PUC/SP), do Conselho Editorial da Revista Margem Esquerda e Doutor em Educação pela Universidade de São Paulo



A educação ocupa um lugar estratégico no pensamento e prática anarquistas enquanto fundamento inerente ao processo de transformação da ordem capitalista e a fundação de uma nova ordem social. A preocupação em formar homens livres e conscientes, capazes de revolucionar a sociedade, é constante na obra dos maiores pensadores anarquistas.[1] Há, na tradição libertária, uma vinculação explícita entre educação e luta política. A educação é um objetivo em si para combater a ignorância e a miséria, e, simultaneamente, instrumento de atuação política e social contra os privilégios, as injustiças e todas as formas de opressão e exploração.[2]
A educação é concebida como parte do processo revolucionário, isto é, os anarquistas não imaginam que apenas através do ato educativo a Revolução tornar-se-á realidade, mas vêem a educação como fundamental. Trata-se, na concepção libertária, de romper o círculo vicioso entre a miséria, a ignorância e o preconceito, e, de formar seres humanos autônomos, críticos, solidários e amantes da liberdade. Os libertários questionam todas as relações de opressão, expressão das relações de dominação que envolvem todas as esferas sociais: família, escola, trabalho, religião etc.
O pensamento pedagógico libertário é crítico às relações de poder presentes no processo educativo e às estruturas que proporcionam as condições para que estas relações se reproduzam. Um dos seus princípios centrais é a rejeição de toda e qualquer forma de autoritarismo. Neste aspecto, a pedagogia libertária oscila entre a não-diretividade e a aceitação de processos educacionais diretivos, isto é, em que se manifeste formas de autoridade não-autoritárias.[3]
De qualquer maneira, o questionamento do autoritarismo constitui o âmago da Pedagogia Libertária. Isto significa recusar quaisquer procedimentos que induzam à obediência cega às autoridades e expresse relações opressivas. Na perspectiva bakuninista, trata-se de ensinar a liberdade, o que pressupõe, em determinadas fases do processo educativo, a presença da autoridade. É ela que educa para a liberdade.
O antiautoritarismo não é patrimônio exclusivo da pedagogia inspirada na práxis anarquista. Neste sentido, é preciso considerar outras correntes pedagógicas que centram-se no interesse e experiência do educando.[4] Destacamos, por suas similitudes, a pedagogia libertadora de Paulo Freire[5] e outros educadores críticos que advogam uma pedagogia engajada, radical e crítica em relação aos processos educacionais fundados em bases opressoras e autoritárias.
A Pedagogia Libertária é legatária de um projeto de sociedade fundada na autogestão presente na Associação Internacional dos Trabalhadores (a I Internacional fundada em 1864). A autogestão tanto pode ser assimilada numa perspectiva não-diretiva quando diretiva. Segundo GALLO (1996):
“O que diferencia as duas perspectivas de aplicação da autogestão pedagógica no contexto libertário é que enquanto a primeira toma a autogestão como um meio, a segunda a toma por um fim; em outras palavras, na “tendência não-diretiva” a autogestão é tomada como metodologia de ensino, enquanto que na “tendência mainstream’ [diretiva] ela é assumida como o objetivo da ação pedagógica. Ou, ainda: educa-se pela liberdade ou para a liberdade”. [6]
Os princípios de autogestão e educação integral[7] nortearam várias experiências pedagógicas libertárias: Paul Robin e a organização e direção do orfanato de Cempuis[8]; Sébastien Faure e La ruche (A colméia)[9]; a Escola Moderna Racionalista de Francisco Ferrer, que influenciou os anarquistas brasileiros nas primeiras décadas do século XX[10]; a escola de Yasnaia Poliana, dirigida pelo russo Leon Tolstoi[11]; as práticas libertárias na Espanha, dirigidas pela Confederação Nacional do Trabalho (CNT), etc.
Os primeiros representantes desta pedagogia no Brasil foram os trabalhadores imigrantes — italianos, espanhóis, portugueses, etc. — que, em fins do século XIX, chegavam para trabalhar nas lavouras de café, em substituição à mão-de-obra escrava. Posteriormente, estes imigrantes constituíram uma parcela importante do nascente proletariado urbano brasileiro.[12]
Nas primeiras décadas do século XX, os sindicatos operários tomaram para si a tarefa de criar os espaços necessários para o desenvolvimento desta pedagogia crítica às instituições formais, à educação oficial, laica ou religiosa. Estes espaços alternativos são os centros de estudos sociais, as escolas modernas, as escolas operárias, a universidade popular, etc., onde se desenvolvem experiências fundadas na Pedagogia Libertária, no sentido de formar um novo homem e forjar a nova sociedade.
A Pedagogia Libertária está, portanto, associada ao movimento operário, às primeiras organizações dos trabalhadores, à luta dos trabalhadores, à ação anarquista e anarco-sindicalista contra o Estado, a Igreja e o capitalismo. Sua difusão se dá através da imprensa operária e da ação direta dos libertários. A partir dos anos 20, o ideário comunista, fortalecido pela vitória da Revolução Russa, passa a disputar a hegemonia com os libertários e, pouco a pouco, se imporá enquanto interlocutor dos trabalhadores frente às classes dirigentes. A fundação do Partido Comunista, em 1922, conta com o apoio de anarquistas convertidos ao bolchevismo, como é o caso de Astrogildo Pereira.
A ascensão do movimento comunista, aliado à criação de uma legislação sindical e legalização dos sindicatos durante o governo Vargas, reduz drasticamente a influência do pensamento libertário no movimento operário brasileiro. Evidentemente, a Pedagogia Libertária sofrerá os efeitos desta nova realidade. Neste caso, devemos considerar ainda que, do ponto de vista estritamente pedagógico, esta corrente teve que enfrentar, de um lado, a Pedagogia Tradicional (associada às aspirações dos intelectuais ligadas às oligarquias dirigentes e à Igreja); e, por outro lado, a Pedagogia Nova (expressão das mudanças econômicas, políticas e sociais, isto é, a urbanização, industrialização e fortalecimento das classes médias e da burguesia, que buscavam modernizar o Estado e a sociedade brasileira).
A Pedagogia Libertária sobrevive enquanto projeto social vinculado à tradição anarquista. Ela está presente nas iniciativas de autodidatas e militantes vinculados às lutas sociais; nos centros de cultura que sobrevivem aos períodos de repressão política; no campo acadêmico através da atuação docente e produção de intelectuais engajados, que se identificam ou simpatizam com o pensamento acrático; em experiências isoladas, nas salas de aula de escolas de periferia ou em universidades.[13]
As experiências pedagógicas fundadas no pensamento libertário, internacionais ou no Brasil, apresentam características comuns, o fio condutor que possibilita identificar os fatores que orientam a sua práxis. Vejamos, em resumo:
LIBERDADE: Entendida como meio e fim, a liberdade é intrínseca à prática libertária. Não se trata da liberdade em abstrato ou no sentido liberal, mas da Liberdade construída socialmente e conquistada nas lutas sociais.
ANTIAUTORITARISMO: Essencial à prática pedagógica libertária. A idéia chave subjacente a este conceito é que não é possível combater o autoritarismo e a opressão presentes no Estado, família, escola, etc., sem que, concomitantemente, se formem homens livres; e, não se formam homens livres através de métodos autoritários e de controle.
EDUCAÇÃO INTEGRAL: Os educadores libertários não recusam a ciência e o saber especializado, mas advogam que, antes, o processo educativo se concentre na formação plena (dimensões física, intelectual e moral), que não separe o saber do saber fazer, isto é, que não se fundamente na divisão entre ação e pensamento (trabalho braçal e intelectual).
AUTOGESTÃO: A Pedagogia Libertária enfatiza que os recursos no processo educacional devem ser controlados e administrados pelos diretamente envolvidos e pela comunidade. Isto significa superar a dicotomia Estado/Sociedade e colocar a educação sob controle da sociedade/comunidade.
AUTONOMIA DO INDIVÍDUO: O processo educativo pedagógico centra-se no educando, com pleno respeito aos estágios do seu desenvolvimento e o estímulo para que ele tome o próprio destino em suas mãos. O educando não é tratado como objeto (meio), mas enquanto sujeito e fim em si mesmo.
EXEMPLO: A educação libertária pressupõe a busca da coerência entre o falar e o fazer (discurso e ação): os exemplos educam e falam mais do que as palavras; portanto, o educador deve estar sempre aberto a aprender, a se educar, a reconhecer os erros e dar o bom exemplo, a ser coerente em relação aos meios e fins, a teoria e prática; trata-se de, para além de assumir o pensamento anarquista, ter atitude, uma ética e um modo de ser anarquistas.
CRÍTICA: O educador libertário é um educador crítico: dos conteúdos, dos programas e instituições oficiais, da sociedade e todas as esferas de reprodução de formas de opressão e, inclusive, de si mesmo.
COMPROMISSO E RESPONSABILIDADE SOCIAL: A Pedagogia Libertária é profundamente engajada, no sentido da crítica às estruturas de dominação e da formação de homens e mulheres capazes de atuarem como críticos e sujeitos ativos pela transformação das suas vidas e do meio social. Nesta perspectiva, não há lugar para a neutralidade da educação e do educador. Uma conseqüência lógica dessa maneira de conceber o processo educativo é o compromisso com os oprimidos, os deserdados.
SOLIDARIEDADE: Uma educação fundada em critérios solidários, de ajuda mútua, que recusa tanto os prêmios quanto os castigos e, portanto, os processos classificatórios (exames, notas, etc.) e as relações de ensino-aprendizagem fundadas em critérios competitivos.[14]

[1] William GODWIN (1756-1836) é considerado pioneiro. Ele advogou que o aprendizado é determinado pela “vontade”, pelo interesse do aluno. “A melhor motivação para aprender é a percepção do valor da coisa aprendida. A pior, mesmo que não seja necessário decidir se devemos ou não recorrer a ela, será a coerção e o medo”, escreveu. (In: WOODCOCK, 1986: 251)
[2] A frase de KROPOTKIN, inscrita nos periódicos anarquistas no período da Primeira República, sintetiza como os libertários vinculam educação e política: “Nossa missão é semear o bem, difundir a luz por meio da instrução livre de todos os preconceitos da rotina, criar corações que odeiem a tirania e que desde a infância maldigam os exploradores”. (Citado in GHIRALDELLI JR., 1987: 104)
[3] MORIYÓN (1989: 18-19) nota este aspecto: “Alguns, possivelmente a maioria, querem ser radicais até o final e não admitem desviar um mínimo que seja do respeito inicial concedido à criança; por isso mesmo insistirão no fato de que à criança não se deve impor absolutamente nada, que se tem que deixar que cresçam nelas os seus próprios interesses e opções sociais, inclusive correndo o risco de que essas opções sejam contrárias ao processo ideário libertário. Outros não pretendem chegar a tanto e concebem a educação antiautoritária como um processo no qual se fomenta o espírito de rebelião nas crianças e se lhes ensina a enfrentar o sistema social injusto em que nasceram, correndo inclusive o risco de serem acusados de doutrinar mais do que educar as crianças”. GADOTTI (2001) resgata esta discussão e relata a experiência autogestionária que viveu, entre 1974-1977, na Universidade de Genebra.
[4] São tendências pedagógicas liberais, progressistas e não-diretivas fundadas em teorias desenvolvidas por autores como: John Dewey. Michel Lobrot, Celestin Freinet, C. Rogers, A. Neill e Piaget.
[5] “Paulo Freire foi um educador que se aproximou muito da concepção de Godwin sobre educação. Ele não acreditava em revoluções radicais e sangrentas como Bakunin. Concordava, ao seu modo, com a afirmação de Proudhon que a propriedade é um roubo. Deixava-se perpassar pelas inquietações de um adolescente como La Boétie mesmo aos setenta e alguns anos. Foi, em suma, um educador desejoso por conversas que prezassem a liberdade como valor mais precioso”, afirma PASSETTI. (1998: 11-12) Mais adiante, ele reafirma: “Paulo não foi um anarquista no sentido amplo das ações, mas criou com sua obra um legado libertário que deve ser lido e experimentado por um anarquista livre de preconceitos e sabedor dos impactos históricos de cada época sobre os indivíduos”. (Id.). E mais: “No período compreendido entre o final dos anos 60 até sua morte, Paulo Freire construiu uma obra antiautoritária, em muitos pontos libertária, aproximando-se, por diversas vezes, do anarquismo cristão dos escritores Ernesto Sabato e Leon Tolstoi”. (Id.: 22)
[6] Embora a autogestão seja um dos elementos centrais da Pedagogia Libertária, esta não é a única a levá-la em conta. Como esclarece GALLO (1996): “Ao ser anti-autoritária por definição, a educação anarquista sempre teve na autogestão pedagógica seu foco central, implícita ou explicitamente. Não foi apenas o anarquismo, porém, que assumiu a tendência autogestionária na educação; a autogestão cabe a múltiplas interpretações políticas, do anarquismo mais radical até o liberalismo laissez-faire mais reacionário. Assim, muitas tendências pedagógicas acabaram por assumir práticas total ou parcialmente ligadas ao princípio da autogestão, seja de forma consciente, seja na sutil inocência - ou ignorância - que tudo permite. A autogestão está presente, pois, de Cempuis a Summerhill, do racionalismo pedagógico de Ferrer i Guàrdia ao "escolanovismo" mais liberal, da pedagogia institucional às técnicas de Freinet”. Este texto também foi publicado in: http://www.hipernet.ufsc.br/foruns/autonomia/pedago/gallo/princ.htm; acessado em 28.09.2003.
[7] “O ensino deve ser igual para todos em todos os graus, por conseguinte deve ser integral, quer dizer, deve preparar cada criança de ambos os sexos tanto para a vida do pensamento como para o do trabalho, a fim de que todos possam igualmente tornar-se homens completos”, afirma BAKUNIN. (Ver: “A educação integral”, in: MORIYÓN, 1989: 34-49; a citação é da página 43).
[8] “Podemos considerar o pedagogo Paul Robin (1837-1912) como o principal nome da pedagogia libertária no século dezenove, por ter sido o primeiro a conseguir trabalhar, na prática, as diversas questões educacionais e teóricas que vinham sendo discutidas nos meios socialistas”, enfatiza GALLO (1995b: 87) GALLO analisa esta “primeira experiência prática de educação integral”, que durou 14 anos. (Id.: 91). Ver também: “A educação integral”, de Paul Robin (In: MORIYÓN, 1989: 88-109).
[9] La ruche, “obra de solidariedade e educação”, se apóia na teoria de Piotr Kropotkin (1842-1921) e foi implementada na França, entre os anos 1904-1917. Kropotkin, em oposição ao darwinismo, parte do pressuposto de sobrevivência humana depende da cooperação, solidariedade e ajuda mútua.
[10] Ferrer, a rigor, não foi anarquista, mas sua pedagogia compartilha da tradição vinculada à ilustração – a razão, o espírito da ciência, contra o obscurantismo da ignorância que alimenta o preconceito e a miséria. Profundamente racionalista e antiautoritária, a pedagogia de Ferrer bebe em fontes do pensamento positivista, proporcionando uma simbiose interessante com o pensamento anarquista.
[11] MORIYÓN (1989: 19), observa que o escritor russo, a exemplo de Ferrer, “não pode ser considerado propriamente um anarquista”. Suas concepções religiosas o afastavam do anarquismo; mas, pedagogicamente, “seus conceitos coincidiam substancialmente com a tradição pedagógica anarquista”. MORIYÓN enfatiza: “A Escola de Yasnaia Poliana era tão radical e inovadora como a de Robin e Faure e, inclusive, superava-as na aceitação até as últimas conseqüências da liberdade das crianças, pois na sua escola nada era obrigatório, nem horários, nem programas e nem normas disciplinares”.
[12] Observe-se, no entanto, a tendência persistente presente na historiografia sobre o movimento operário brasileiro em omitir a questão racial, reproduzindo uma concepção branca e eurocêntrica, ao não pesquisar ou a atenuar a presença negra nos movimentos políticos do início do século XX.
[13] Algumas destas experiências são relatadas em LUENGO [et al] (2000). A obra de GALLO (1995a e 1995b), também se insere nas iniciativas de reintroduzir a pedagogia libertária no contexto das práticas e teorias educacionais atuais, como um paradigma a ser considerado e respeitado.
[14] O projeto libertário objetiva a construção de uma sociedade solidária: “A solidariedade é a chave de todo o projeto anarquista que, é lógico, também se transforma em eixo do seu projeto pedagógico. Trata-se de ir além dos ideais de fraternidade universal que haviam sido colocados em destaque pelos seus antecessores ilustrados, mas que rapidamente caíram em desuso pela dinâmica própria das sociedades burguesas e do modelo capitalista imposto por todo lado”. MORIYÓN (1989: 26)
LEIAM AQUI UM RACIOCÍNIO MAIS PROFUNDO SOBRE A PEDAGOGIA LIBERTÁRIA FEITA POR SÍLVIO GALLO


E AQUI "A EDUCAÇÃO LIBERTÁRIA NA PRIMEIRA REPÚBLICA" FEITA POR ANGELA MARIA SOUZA MARTINS